Obesidade animal
A obesidade é considerada a afecção nutricional e metabólica mais comum nas sociedades desenvolvidas e considera-se que seja a doença mais freqüente em cães e gatos na atualidade. Apesar de ser uma doença essencialmente nutricional, na origem da obesidade existem fatores genéticos, sociais, culturais, metabólicos e endócrinos, que determinam um caráter multifatorial à afecção.
Metabolicamente ocorre uma série de alterações decorrentes da obesidade, dentre elas há a hiperlipidemia, ou seja, o aumento nas concentrações de lipídeos no sangue. Os lipídeos são basicamente colesterol e triglicerídeos.
O aumento do colesterol em cães obesos pode levar à lesões oculares e o aumento dos triglicerídeos pode induzir pancreatite aguda.
Ao contrário do que se pensa, a arterosclerose é rara em cães obesos. Isso se deve ao fato do metabolismo lipídico do cão apresentar maiores concentrações de HDL, ou seja, o famosos “bom colesterol”.
Em se tratando de ortopedia, a obesidade se torna o principal vilão dos animais. O sobrepeso pode induzir a fraturas, rupturas ligamentares e problemas de coluna. Estudos mostram que animais que perdem peso demonstram melhora nos sinais clínicos em afecções ortopédicas crônicas, como osteoartrite ou osteoartrose.
Outros sintomas bem relevantes na obesidade animal são as manifestações respiratórias. Talvez esse seja o sistema mais acometido. A obesidade pode levar ao prolapso de traquéia (fechamento ou colabamento da traquéia), além de exacerbar outras doenças como paralisia de laringe e a síndrome da obstrução das vias aéreas dos cães braquicefálicos (cães com a “face achatada”), pois ocorre um aumento da deposição de gordura na face, língua, glote, faringe, laringe e pescoço. Um estudo mostrou que após perder peso a quantidade de oxigênio sanguíneo aumentou significantemente nos cães, o que leva a crer que animais com peso ideal têm uma capacidade pulmonar em oxigenar sangue melhor quando comparados aos obesos.
O diabete mellitus é uma doença frequentemente relacionada à obesidade em seres humanos. Assim como na medicina humana, na veterinária existe o tipo 1 e o tipo 2. A tipo 1 é caracterizada pela destruição das células que produzem a insulina. Já na tipo 2, ela é produzida, porém não consegue ser aproveitada. Isso se chama resistência à insulina. Embora a obesidade canina cause essa resistência ela não é um fator de risco reconhecida para o desenvolvimento direto de diabete. Ela pode ser responsável pelo desenvolvimento da pancreatite, que reduz a produção na insulina, aí sim levando à diabete. Já nos gatos, a diabete mellitus está intimamente relacionada à obesidade.
Devido a todos esses fatores citados acima, é muito importante que o controle de peso do animal seja feito, pois, uma vez que ele está no peso ideal há uma melhor qualidade de vida e aumento na longevidade, o que todo proprietário espera de seu animalzinho.
Evite dar comida caseira, principalmente aquela preparada para nós, humanos, que leva uma quantidade excessiva de sal e gordura (o ideal para humanos é muito diferente do ideal para cães, portanto mesmo que você ache que usa bem pouco sal e gordura para você, ainda assim está sobrecarregando seu animal), sem contar na deficiência de vários nutrientes. A ração é uma alternativa prática porque contém todos os nutrientes necessários à manutenção do seu animal de forma saudável.